O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males: Uma reflexão sobre 1 Timóteo 6:10
- Lila Menozzi
- 17 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

Muitas vezes ouvimos a frase popular dizer que "o dinheiro é a raiz de todos os males". No entanto, ao examinarmos as Escrituras com atenção, percebemos que essa afirmação, da maneira como é dita popularmente, está incompleta e pode levar a interpretações equivocadas sobre a prosperidade e o trabalho.
A Bíblia é muito precisa em suas palavras. O apóstolo Paulo, em sua primeira carta a Timóteo, traz um alerta específico que não condena o recurso financeiro em si, mas sim a nossa relação com ele.
O versículo exato diz:
"Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores." — 1 Timóteo 6:10
Existe uma diferença fundamental entre ter dinheiro e amar o dinheiro. Compreender essa distinção é essencial para uma vida cristã equilibrada.
A Diferença entre o Recurso e o Ídolo
O dinheiro é neutro; ele é uma ferramenta de troca. Com ele, é possível sustentar a família, contribuir com a obra de Deus e ajudar o próximo. Abraão, Jó e Salomão foram homens abençoados com riquezas e nem por isso foram condenados por possuírem bens.
O problema espiritual surge quando o dinheiro deixa de ser uma ferramenta em nossas mãos e passa a ocupar o trono em nossos corações. O "amor ao dinheiro" descrito no texto grego original (philargyria) refere-se a uma afeição excessiva, uma avareza que coloca a busca pela riqueza acima dos princípios, da família e da própria comunhão com Deus.
As Consequências da Cobiça
O texto de 1 Timóteo continua com um aviso severo: "nessa cobiça alguns se desviaram da fé".
A busca desenfreada pelo enriquecimento pode se tornar uma armadilha sutil. Quando
a prioridade da vida se torna o acúmulo de bens, a fé é deixada em segundo plano.
Os valores do Reino são substituídos pelos valores do mundo, e a confiança na Providência Divina é trocada pela falsa segurança da conta bancária.
Além do desvio da fé, o versículo menciona que aqueles que amam o dinheiro "se traspassaram a si mesmos com muitas dores". A ganância nunca traz saciedade;
ela gera ansiedade, medo da perda e um vazio existencial que nenhum valor monetário
é capaz de preencher.
O Contentamento como Chave
Como, então, não cair na armadilha do amor ao dinheiro? A resposta está poucos versículos antes, onde Paulo afirma que "é grande ganho a piedade com contentamento, pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar;" (1 Timóteo 6:6-7).
O contentamento não significa acomodação ou falta de ambição para melhorar de vida. Significa ter um coração grato e em paz, que reconhece que o nosso sustento vem do Senhor. Significa entender que somos apenas administradores (mordomos) daquilo
que Deus nos confia.
Que possamos trabalhar com dignidade e usufruir dos frutos do nosso esforço, mas sempre mantendo o coração vigilante. O dinheiro deve nos servir, e não nos governar. A raiz de todos os males não está na moeda, mas na cobiça que pode nascer
no coração humano.
A nossa verdadeira riqueza e segurança devem estar sempre firmadas em Cristo, e não nas incertezas das riquezas deste mundo.
Oração
"Pai querido, sonda o nosso coração neste momento. Pedimos que o Senhor arranque de nós qualquer raiz de avareza ou amor excessivo aos bens materiais. Nos ensina a sermos fieis na administração dos recursos que o Senhor nos confiou. Que o dinheiro em nossas mãos sirva para abençoar vidas e honrar o Teu nome, mas que ele jamais ocupe o lugar que pertence somente a Ti. Nos dê um coração grato e contente. Em nome de Jesus, Amém."




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