O Rumo de Jerusalém: Quando o Amor Vence a Vontade de Julgar
- Lila Menozzi
- há 4 horas
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“E aconteceu que, completando-se os dias para a sua assunção, manifestou o firme propósito de ir a Jerusalém. E mandou mensageiros diante da sua face; e, indo eles, entraram numa aldeia de samaritanos, para lhe prepararem pousada. Mas não o receberam, porque o seu aspecto era como de quem ia a Jerusalém. E os discípulos Tiago e João, vendo isso, disseram: Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como Elias também fez? Voltando-se, porém, repreendeu-os e disse: Vós não sabeis de que espírito sois. Porque o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. E foram para outra aldeia.”
(Lucas 9:51-56 ARC)
A vida de Jesus foi marcada por decisões firmes e propósitos inabaláveis.
Em Lucas 9:51-56, encontramos um momento crucial dessa jornada que nos diz muito sobre o compromisso de Cristo com a nossa salvação. Ele tinha o firme propósito de ir a Jerusalém e Ele sabia o que o esperava: a cruz. Ainda assim, nada O desviou do caminho.
No meio desse percurso, um episódio com Seus discípulos nos ensina lições valiosas sobre o nosso próprio temperamento e a missão do Reino.
A Rejeição no Caminho
Ao passar por uma aldeia de samaritanos, Jesus não foi recebido. O motivo? Seu rosto estava voltado para Jerusalém.
A rejeição dói, e para os discípulos Tiago e João, aquela afronta parecia exigir uma resposta imediata e severa.
E com a gente? Não é bem parecido? Quando somos rejeitados ou quando o Evangelho que pregamos é ignorado, nossa primeira reação é a defensiva. Queremos "provar" que estamos certos ou que o outro está perdendo algo precioso. Jesus não precisa de defensores audaciosos que não medem esforços para que Ele seja aceito. Ele dá a cada um uma oportunidade de escolha, e com gentileza ele mostra o caminho, e através disso a pessoa opta se quer aceita-lo ou não. Não cabe a nós "enfiar goela a baixo".
Me lembro de alguns momentos onde o evangelho foi pregado para mim de maneira "assustadora" e nesse caso só me afastou desse lugar, pois eu sabia quem realmente era Jesus. Da mesma forma, alguns momentos o evangelho foi pregado apenas com atitudes simples de gentileza e amor o que me fizeram ter mais curiosidade sobre esse lugar.
O amor, a gentileza, a bondade, atraem as pessoas para perto e fazem elas quererem ouvir sobre o que você tem a dizer, do mesmo modo que o terror, arrogância e gritaria as afastam e as fazem se fechar para tudo.
O "Fogo do Céu" e o Impulso Humano
Tiago e João, conhecidos como "Filhos do Trovão", perguntaram: "Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como Elias também fez?" (v. 54).
Eles tinham zelo, mas um zelo sem o Espírito de Cristo. Eles queriam justiça imediata, castigo para quem não via a grandeza do Mestre.
Quem nunca quis que "fogo do céu" caisse na cabeça de alguém, que atire a primeira pedra. Somos muito rápidos em querer a tal "justiça", e somos tão esquecidos da misericórdia que um dia nos alcançou. Jesus não se surpreendeu com a reação daquele povo, Ele já sabia exatamente o que o aguardava, Ele apenas cumpriu seu propósito e é isso que precisamos ter em mente: se as pessoas não nos ouvirem, fizemos a nossa parte e isso basta! Cabe a elas escolherem e não a nós forçar uma escolha.
A Repreensão de Jesus: "Vós não sabeis de que espírito sois"
A resposta de Jesus é um choque de realidade para qualquer religioso: "Vós não sabeis de que espírito sois. Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las" (v. 55-56).
Algumas versões da bíblia não colocam toda a fala de Jesus, a que eu coloquei aqui é a ARC, e essa fala faz toda a diferença porque só reafirma que Jesus não se alegra na destruição de quem não crê Nele e que, novamente, todos nós temos a escolha.
Jesus nos ensina que a nossa missão não é punir a rejeição, mas persistir no propósito da salvação. Ele não parou a viagem para discutir com os samaritanos; Ele simplesmente seguiu para outra aldeia.
O caminho para "Jerusalém" — o cumprimento da nossa vontade diante de Deus — exige que saibamos lidar com as portas fechadas sem perder a essência do amor. O fogo que deve arder em nós não é o que consome o próximo, mas o que aquece os corações com a esperança do Evangelho.
Que possamos, como Jesus, firmar o nosso rosto no propósito, mas manter o coração manso diante daqueles que ainda não compreendem a mensagem.
Oração
"Pai querido, pedimos que nos ensine que as Tuas misericórdias e o Teu amor são para todos, que precisamos falar disso para todos e que todos tem a escolha de aceitar ou não, o que importa verdadeiramente é cumprimos o nosso próposito diante de Ti e aquilo que não podemos fazer, Teu Santo Espírito fará por nós, com amor e gentileza. Em nome de Jesus. Amém!"




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